No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial (26 de abril), o CRF/SE conversou com a farmacêutica generalista Dayanne Santana sobre como medir a pressão arterial, cuidados e principais riscos. Ela explica também quando um paciente deve procurar um farmacêutico para aferir sua pressão e a possibilidade de fazer acompanhamento da pressão arterial por um farmacêutico. Este dia visa conscientizar a sociedade sobre esse problema de saúde pública, conhecida popularmente como pressão alta. Saiba mais na entrevista a seguir.

CRF/SE- Aferir a pressão arterial é um dos procedimentos que o farmacêutico pode realizar na farmácia?
Dayanne Santana- A RDC 44 de 17 de agosto de 2009, dentre outras importâncias, dispõe das boas práticas farmacêuticas para controle sanitário da prestação de serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias. Nela estão descritos os serviços farmacêuticos que podem ser prestados na farmácia comercial, dentre eles a aferição de parâmetros fisiológicos a exemplo da pressão arterial.

CRF/SE- Qual o cuidado que um farmacêutico precisa ter ao aferir a pressão de um cliente?
Dayanne Santana- O farmacêutico deve, em um ambiente calmo, orientar o cliente acerca da posição correta em que deve estar: sentado, com as costas apoiadas, pernas descruzadas, pés apoiados no chão e não deve estar com a bexiga cheia. Deve ter repousado por no mínimo 5 minutos, não ter fumado, consumido álcool ou café até uma hora antes do momento do atendimento e não ter realizado atividade física nos últimos 30 minutos. É importante que seja realizada mais de uma aferição, com espaço de um minuto entre elas. Quando é evidenciado um descontrole na pressão arterial, o cliente é encaminhado pelo farmacêutico ao cardiologista ou urgência médica portando declaração de serviços farmacêuticos com todos os resultados e/ou relatório da evolução da pressão arterial. Além disso, o farmacêutico deve assegurar a calibração e validação do aparelho utilizado para a aferição da pressão arterial (esfigmomanômetro).

CRF/SE- E o paciente? Quando um cliente precisa medir a pressão? E quais cuidados deve ter?
Dayanne Santana- Devido a fatores fisiológicos que causam o enrijecimento dos vasos sanguíneos e consequente redução da elasticidade arterial em idosos, a probabilidade da hipertensão acometer pessoas acima de 60 anos é maior. Então, esse é claramente um público que deve realizar check-up em sua pressão arterial regularmente visto que a hipertensão é uma doença sem sintomatologia específica e na maioria das vezes somente os valores pressóricos podem determinar um descontrole na pressão arterial. Além do processo de envelhecimento, outros fatores podem desencadear um descontrole da pressão arterial como a obesidade, tabagismo, sedentarismo e estresse. Essas pessoas também precisam de acompanhamento de sua pressão arterial casualmente ou quando apresentarem algum sintoma como dor de cabeça, dor no peito ou algum mal-estar. Clientes previamente diagnosticados com hipertensão e medicados precisam de atendimentos mais regulares para acompanhamento da eficácia de seu tratamento.

CRF/SE- O que um farmacêutico pode fazer em um atendimento clínico?
Dayanne Santana- Segundo a RDC 44 de 2009, a prestação de serviço de atenção farmacêutica compreende a atenção farmacêutica domiciliar, a aferição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos e a administração de medicamentos. Os atendimentos têm como objetivos a prevenção, detecção e resolução de problemas relacionados a medicamentos, além de promover o seu uso racional levando à melhora da saúde e qualidade de vida dos clientes. Hoje o farmacêutico tem lugar de destaque nos cuidados à saúde da população através da farmácia comunitária onde realiza serviços de check-up de pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura corporal, teste de glicemia, oximetria, bioimpedância, prescrição farmacêutica, seguimento da farmacoterapia, testes laboratoriais, programa antitabagismo.

CRF/SE- Qual o diferencial do farmacêutico na saúde do cliente?
Dayanne Santana- O farmacêutico é o profissional habilitado para orientar acerca dos medicamentos, além de ser o profissional mais disponível para a população. Apesar do pouco tempo de formada (7 anos) tive a oportunidade de vivenciar a atenção farmacêutica em dois mundos: no SUS e na rede privada em área nobre da cidade (atual) e com isso concluo que independente do poder aquisitivo, classe social, profissão, residência, credo, idade ou gênero, todos precisam de um farmacêutico em algum momento de sua vida. Dúvidas como “Não sabia que tinha que tomar meu medicamento da pressão continuamente”; “posso tomar esse medicamento junto da refeição?”; “tomo 12 medicamentos por dia e não sei quais posso tomar juntos”; “comecei a tomar esse medicamento há 2 dias e ainda não fez efeito, posso parar?” são comuns dentre diferentes pessoas, e todas essas dúvidas e outras podem ser sanadas pelo profissional farmacêutico.